Graciliano com medo

janeiro 28, 2012

Este texto, de José Castello,  foi postado em “A literatura na poltrona”, blog de literatura de O Globo. Servirá como material de apoio na Oficina de Produção Textual. Espero que sirva de estímulo não só aos escritores neófito como aos artistas em geral! Boa leitura!

Andréa Terra

Graciliano com medo

Leio, um tanto perplexo, quase tonto, na correspondência de Graciliano Ramos: “Sou, talvez, no mundo o indivíduo que menos confiança tem em si mesmo. Lembras-te da folha seca da canção? ‘Vou para onde o vento me leva…’ Apenas nunca me julguei folha de rosa, ou de louro. Serei, quando muito, uma desgraçada folha de mandioca, como é razoável”. Releio para confirmar o que li. A sinceridade de Graciliano me atordoa, mas me fortalece.

A confissão é feita no ano de 1921, em carta ao amigo Mota Lima Filho. Graciliano está com 29 anos de idade. Já não é uma criança: seis anos depois será eleito prefeito de Palmeira dos Índios, Alagoas. Só 12 anos depois, já quarentão, publicará seu primeiro
livro, “Caetés”, de 1933. No ano seguinte, publica “São Bernardo” e mais dois anos depois, “Angústia”. Sua obra-prima, “Vida secas”, de 1938, prova definitiva de sua autoconfiança _ o que não exclui o medo, mas o emoldura _, foi publicada aos 46 anos.

Pois na mesma carta a Mota Lima Filho, escrita aos 29 anos de idade, ainda antes do primeiro livro, Graciliano diz ainda: “Muito me diverti com a extravagante idéia que tiveste de pedir-me alguma coisa para ser publicada aí. Escrever, hoje, com a minha idade? Que pensas de mim?” A certeza com que, antes dos trinta anos, ele afirma sua falta de vocação é um exemplo gritante do descompasso absoluto entre tempo e escrita. E, no entanto, logo depois _ desmentindo a si mesmo, traindo a si mesmo _ ele começaria a escrever sua grande obra. Tempo retorcido, tempo mais potente.

O sábio Graciliano desprezava não só o cerco do tempo, mas também os espartilhos asfixiantes da gramática. Em carta dos anos 1930 a sua segunda mulher, Heloísa, tenta convencê-la a escrever, ela também, um romance. Aconselha: “Escreva às escondidas, não é preciso ninguém saber que você se dedica a ocupações prejudiciais”. E mais à frente: “Faça uma tentativa à noite, quando o pessoal estiver dormindo”. Quanto ao suposto despreparo da mulher para a escrita literária, evoca a figura de George Sand, que “começou a escrever sem gramática”. Acrescenta: “Nossos escritores atuais, Zé Lins (do Rego) e Jorge (Amado) à frente, ignoram isso completamente”.

Um conselho, entre eles, creio, se destaca. É direto, simples, brutal: “Não imite ninguém, faça coisa sua”. Um escritor não deve nada a ninguém; se deve, ou pensa que deve, não escreve. Graciliano sabe que, com suas idéias, causa espanto à mulher, mas acredita sinceramente que a vocação literária vem de regiões distintas do bem escrever, da retórica afiada, do “bom preparo”. Vem de zonas escuras e até desprezíveis. Desmentindo o que pensou de si mesmo aos 29 anos, agora inclui a insegurança e o despreparo entre as condições fundamentais da escrita.

Sabia Graciliano que, sem uma boa dose de dúvída e de insegurança nada se chega a escrever. A segurança é uma trava. A certeza, uma coleira. Sem um desprezo pela “boa escrita” também não se consegue escrever. Fala, todo o tempo, do medo, que entrava não só sua mulher, mas a ele mesmo. Não se trata de “não ter medo”, mas de incluir o medo no que se faz. Sem medo, ninguém atravessa uma avenida _ pois não olhará para os lados, e correrá o risco de ser atropelado. Sem medo, já me disse uma voz muito sábia, ninguém escreve. O medo não é uma obstaculo à escrita, mas uma de suas mais importantes condições.

http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/

Tá na Rua encenará 20 espetáculos no Rio até o fim de 2012

janeiro 27, 2012

Matéria de O Globo com o importantíssimo Amir Haddad, sobre o Grupo Tá na Rua. Atores e amadores de teatro, não deixem de ler na íntegra!

Andréa Terra

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Amir Haddad, diretor do grupo de teatro Tá na Rua: 20 espetáculos ao longo de 2012<br /><br />
Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo” width=”500″ height=”375″ /></p>
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<div>Amir Haddad, diretor do grupo de teatro Tá na Rua: 20 espetáculos ao longo de 2012LEONARDO AVERSA / AGÊNCIA O GLOBO</div>
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<p>Leia mais sobre esse assunto em <a href=http://oglobo.globo.com/cultura/ta-na-rua-encenara-20-espetaculos-no-rio-ate-fim-de-2012-3768704

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Sobre o espetáculo ”Holoclownsto” e o trabalho da Troupp Pas D’Argent

janeiro 24, 2012

Neste final de semana, alguns dos artistas da Companhia foram assistir ao espetáculo ”Holoclownsto”, que encerrou temporada na Caixa Cultural.

A diretora do trabalho é a Marcela Rodrigues. Trabalhamos, ambas como atrizes em ”De Quixote todos nós temos um pote”, do querido Paulo Rebello, em 2005. Nessa época a Marcela já era uma atriz com uma maturidade além da nossa (da minha com certeza!), com um olhar exigente sobre a sua arte e com uma inteligência cênica que parecia inscrita em seu DNA.

Anos depois, foi uma enorme satisfação ver um trabalho de uma TRUPE! Quanta verdade, poesia, dor e beleza, ao mesmo tempo, sem concessões. Poucas vezes risos se misturam às lágrimas quanto com esse espetáculo. Poucas vezes somos levados a questionar o nosso riso nascido do trágico, como em ”Holoclownsto”. Porque a Troupp consegue revestir a tragédia com as cores do lúdico. Que presente. Obrigada, clowns queridos, atores fantásticos, diretora talentosíssima!

Não colocarei link para ”Holoclownsto” aqui, mas sim para uma entrevista que a Marcela concedeu ao Sérgio Britto onde ela (e o ator Orlando Caldeira) falam do trabalho da Troupp, mas especificamente da primeira montagem deles, ”Cidade das Donzelas”. Prestem atenção aos detalhes, às jornadas tanto dos artistas quanto de um espetáculo bem sucedido e, dada uma das nossas pesquisas, a questão da Comedia dell’Arte e da Farsa.

http://www.youtube.com/watch?v=4u8CJAMJhLE&feature=youtu.be

Segue também um link para um material sobre a ”Cidade das Donzelas”. Assistam sem pressa!

http://www.youtube.com/watch?v=TD6kUtyC004&feature=related

E, por fim, os ciberendereços da Troupp: https://www.facebook.com/Troupp.Pas.Dargent

http://troupppasdargent.webnode.com//

Que vontade de ver mais e de novo! Até.

Andréa Terra

De volta ao batente!

janeiro 23, 2012

No domingo, dia 22/01, iniciamos oficialmente a temporada de trabalho de 2012 da Companhia! Tivemos boa presença e a chegada de um novo componente (tomara!), o André Lopes.

Bem vindo, André!

 
 
 
 
 
 
 
 

Os jogos teatrais foram voltados para a utilização de sentidos diversos à visão. Apesar das dificuldades, a energia foi boa e todos participaram ativamente. No jogo Hipnotizador a dependência da visão acarretou em uma grande restrição da movimentação (corpos rígidos). Já no jogo Círculo máximo e círculo mínimo, os jogadores foram além das instruções e propuseram ocupações interessantes do espaço. 

No exercício A minha palavra, além das palavras definidoras, palavras peculiares começaram a surgir (como “musculoso”, “peludo”, “cuti-cuti”) e foram incorporadas ao exercício. A participação das crianças foi muito feliz pois proporcionou uma leveza e uma alegria que seriam inatingíveis em outra situação!

Aviso aos artistas: guardem seus papéis do exercício A minha palavra

No final, comemoramos o aniversário da Ludy com um bolo lindo e gostoso que ela levou. Parabéns Ludy!

Aniversários!!!

janeiro 20, 2012

Um Feliz Aniversário (um pouquinho atrasado) para nossos queridos amigos Ludmila Nascimento (19/01) e Silas Mendes (11/01)!!!!!!! Muita saúde, paz e realizações em suas vidas!!!! Obrigada pelo trabalho de vocês na CTRC!!!!

Ludmila Nascimento

Silas Mendes

Recontando em terras estadounidenses

janeiro 19, 2012

Nosso amigo, ator e colaborador Ney Coelho fez uma belíssima viagem para os EUA e quis dividir conosco a parte cultural da experiência. Após assistir a polêmica e custosa (em mais de um sentido) produção de ”Homem Aranha” na Broadway, vejam o seu relato:

“Estive em Novaiorque. Assisti o Spiderman, um musical com adrenalina de circo. São seis Spirdeman, inclusive um japonês (descoberta feita ao final), voando de um lado ao outro de um teatro quase do tamanho do Maracanãzinho, de teto muito alto e uma boca de cena enorme. O cenário é um espetáculo à parte, sempre mudando para apresentar os diversos ângulos de visão da cidade, inclusive do alto dos edifícios – alta tecnologia. Muito bailado contemporâneo com profissionais de técnica impecável. Há um roteiro que segue o feito no cinema e muita cantoria com bons cantores-atores. É tanta ação que dá sono nos momentos musicais. Cabe a pergunta: gostou? Não assistiria uma segunda vez mas foi divertido. Poderia ser resumido – um Cirque de Soleil americano”

Cartaz do espetáculo

Quando o Trabalho Voluntário Abre Portas

janeiro 9, 2012

É muito bom quando vemos o sonho e o trabalho de um amigo se realizando. É o caso do nosso amigo Silas Mendes que já trabalhou conosco em várias produções como músico, editor e operador de som. O seu trabalho voluntário de ótima qualidade lhe rendeu oportunidade de emprego no Teatro Municipal de Niterói, pois foi numa apresentação da CTRC (Peter Pan) no TMJC que seu trabalho foi visto, vindo, em seguida, o convite para trabalhar lá!

Silas inaugurou seu estúdio Zeus no bairro Antonina em São Gonçalo. É um ótimo lugar para ensaios e gravações. Eu mesma tive a oportunidade de contratar o trabalho do Silas, pois eu queria gravar algumas músicas em um CD de presente para o meu marido. Silas fez todos os arranjos parecendo que eu era uma cantora profissional, além da enorme paciência que tem para lidar com a vergonha da “cantora” aqui! Risos!

Leia a matéria “Mercado do Rio de Janeiro está carente de bons técnicos de som” no qual Silas Mendes foi entrevistado no “O Fluminense”.

Silas Mendes

Paula Fidelis.

Dica de Filme

janeiro 8, 2012

Sabe quando você termina de assistir a um filme e a sensação que fica logo de imediato é: “que bom que assisti a esse filme!” ?

Pois bem, acabei de assistir ao filme “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Redemption) com Tim Robbins e Morgan Freeman. E, apesar de ser um drama que se passa dentro de uma prisão, a única coisa que eu consegui pensar ao final do filme foi a frase que coloquei no início deste post. Sempre ouvi falar neste filme mas nunca havia assistido. Foi graças ao meu maridão, que está com um projeto de a gente assistir aos filmes considerados “os melhores” em várias listas por aí para nós pensarmos se concordamos ou não com essas opiniões, que tive a oportunidade de ter esta bela sensação num final de domingo.

A atuação de Tim Robins e Morgan Freeman é primorosa, é um prazer vê-los atuando! O que  me deixou encantada foi o fato de terem conseguido deixar um tema tão denso, tão poético! Foi como ver poesia na tela!

Fica, então, minha dica de filme!

Paula Fidelis.

Um dia Cultural: você pode ter o seu!

janeiro 7, 2012

Quinta-feira dia 5 foi um dia cultural. É tão bom quando resolvemos e temos a oportunidade de ter um dia cultural! Tudo naquela 5ªfeira respirava cultura!

Meu marido e eu fomos ao Museu Histórico Nacional (http://www.museuhistoriconacional.com.br) no centro do Rio. Já havíamos ido lá, é verdade, mas numa correria tão grande que não deu para aproveitar a grandeza do lugar. Pois bem, voltamos com a intenção de ver tudo nos mínimos detalhes.

Entrada do museu

Pátio

Carruagem perto da escada rolante que leva ao começo da exposição.

O Museu abriga uma exposição permanente sobre o Brasil desde a sua pré-história aos dias atuais. E se você acha que só porque já estudou História do Brasil na escola vai ser chato, engana-se, pois a exposição conta com recursos lúdicos e multimídia, tornando sua vivência da história muito mais prazerosa. O Museu ainda abriga exposições temporárias. Atualmente, há uma sobre a Água. A entrada custa R$6,00 (R$3,00 meia) e, se quiser, pode pagar por um aparelho de audioguia que é bem interessante, pois você escuta outras informações afora as dos textos nas paredes das galerias.

Oreretama = que significa nossa terra, nossa morada em tupi.

Sobre os índios.

Sobre os índios.

Maquete de uma senzala.

Maquete de uma fazenda de cana- de -açúcar

Lá, você descobre a história da santa do pau oco!

Pintura que mostra a época em que caçavam baleias na Baía de Guanabara.

Detalhe da pintura anterior: Igreja da Ilha da Boa Viagem (Niterói)

Pertences da Família Real

Tudo muito interessante. Só ficamos um pouco deprimidos quando vimos, na galeria que mostra os tempos atuais, que o vídeo-cassete já é um item de museu! Risos!

Ainda tem uma exposição entitulada do “Móvel ao Automóvel”.

Os escravos que tinham que carregar...

Automóvel.

Carruagem.

Passeio I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L!!! As fotos foram tiradas por mim.

Depois, fomos ao Centro Cultural Banco do Brasil  que está com uma exposição sobre a Índia (Exposição temática, interativa e multimeios que abrange 3 mil anos da cultura indiana, da antiguidade à contemporaneidade. Até 29 de janeiro.) muito interessante.

Para fechar com chave de ouro, fomos ao Centro Cultural dos Correios eassistimos à peça “Amor Confesso” (espetáculo a partir dos contos de Arthur Azevedo). Uma delícia de comédia em que os atores mostram um ótimo trabalho de interpretação de vários personagens. Vale a pena conferir!

E assim terminou o nosso dia cultural, com uma maravilhosa sensação de leveza na alma!

E aí, pronto para ter o seu dia cultural ou ou seus dias culturais?

Sem tempo para isso?

Aproveite suas férias para tal. Você não vai se arrepender.

Paula Fidelis.

Bolsa Artista

janeiro 6, 2012

Rafael Ferreira, uma das mais novas, queridas e ótimas aquisições da CTRC, me mandou por e-mail um link do Portal de Notícias Agência Senado falando sobre a “Bolsa Artista” que o senado anda discutindo. Resolvi compartilhar com vocês, leitores de nosso blog!

Qual a opinião de vocês a respeito?

http://www.senado.gov.br/noticias/projeto-cria-o-programa-bolsa-artista.aspx


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